Vou começar com o número que muda a cabeça de todo empresário que vende evento. Numa semana comum de campanha, eu invisto cerca de R$ 1.000 por dia em tráfego e vendo uns R$ 500 por dia. Prejuízo, no papel.
No dia da virada de lote, eu invisto R$ 2.000 e vendo entre R$ 10 e R$ 15 mil.
Ou seja: a semana inteira empata ou perde, e uma noite paga tudo. A campanha existe para servir àquela noite. Se você não entende isso, você faz exatamente o que quase todo mundo faz — e é o erro mais caro dessa operação.

O erro que mata a campanha na quarta-feira
Quarta-feira o time de tráfego abre o painel, vê o custo por venda nas alturas e entra em pânico. Alguém sugere cortar o budget. Parece prudência. É o contrário.
Cortar verba no meio da semana mata a virada que ia pagar a conta. O comprador de evento vê o anúncio na segunda, pensa na terça e decide na quinta às 21h. O dinheiro da semana não é desperdício — é o que aquece a demanda que fecha na virada. Você está pagando pelo público que vai comprar depois.
Toda semana tem virada. Sem exceção
Se é na virada que vende, a conclusão é óbvia: você precisa de uma virada por semana, até o dia do evento. Nunca deixe a página esfriar. Quem entrar num sábado à toa tem que tomar urgência na cara do mesmo jeito de quem entra numa quinta.
Os dias são terça e quinta. A janela de ouro é 18h às 22h — empresário, médico, dentista só resolve a vida depois do expediente. O comercial fica até 22h nesses dias, e só nesses.
O horário de encerramento é sempre 21h59, nunca 22h. Parece bobagem, mas 21h59 comunica precisão, e precisão comunica que é de verdade. Mesma lógica da abertura às 7h59.
E cada virada precisa de um motivo real: preço subindo, um tier esgotando, um bônus saindo, um palestrante sendo revelado. Virada no vácuo o público sente, e sentindo uma vez ele para de acreditar nas outras.
O timer que converte tem 3 dias
Esse é um daqueles detalhes que só se aprende errando. Contagem regressiva de 4 ou 5 dias não converte. É longe demais, o cérebro arquiva e esquece. O ponto ideal é 3 dias.
Se o lote dura uma semana, ele roda com "pode encerrar a qualquer momento" e o timer só liga faltando três dias. Antes disso, ele trabalha contra você.
A regra de ouro do tráfego para evento
Essa eu paguei caro para aprender: nunca rode tráfego com a mídia parada.
Já queimei R$ 7 mil num intervalo de campanha sem narrativa nenhuma no perfil e o resultado foram duas vendas rastreadas. Duas. Porque o funil de evento não termina no clique — ele passa pelo seu Instagram.
O lead clica no anúncio, chega na página, e antes de decidir ele faz uma coisa que ninguém coloca no fluxograma: ele vai conferir o seu perfil. Se encontra fogo — story quente, gente comentando, movimento —, ele converte. Se encontra o último post de duas semanas atrás, ele fecha a aba.
Story quente derruba o CPA. Não é fé, é comportamento: ninguém compra ingresso de um evento que parece que não está acontecendo.
O funil tem duas portas, e você precisa das duas
Depois da pandemia, a conta ficou clara na minha operação: cerca de metade dos ingressos sai na página e a outra metade sai no WhatsApp. Quem monta só uma das duas portas perde metade da venda.
- Página de checkout direto. Para quem já decidiu. Nada de capturar lead antes, nada de formulário no meio — ele quer comprar em um clique e você não pode atrapalhar.
- Página que leva ao WhatsApp comercial. Para quem tem objeção. Distância, agenda, com quem deixar a clínica, "vou no próximo". Objeção de evento não se resolve em página, se resolve em conversa.
São duas campanhas separadas, com custo por venda medido separadamente. Isso permite realocar verba para o caminho que estiver mais barato. Na minha experiência, no fim da campanha o braço do comercial tende a compensar mais — mas isso só se descobre medindo.
Tráfego é a maior linha, mas não é a única
Antes de vender o primeiro ingresso, eu abro uma planilha e destrincho de onde vem cada ingresso. Num evento de 500 lugares, é mais ou menos assim: 250 de tráfego pago, 100 da lista quente de quem já veio antes, 50 de indicação, 50 da cota de alunos e mentorados, 50 da lista fria, 20 de acompanhantes.
Cada linha tem dono, meta e cobrança semanal. E tem uma lógica financeira por trás: quanto mais a indicação e a lista converterem, menos budget de tráfego você precisa. Indicação entrega o mesmo ingresso sem pagar o leilão do Meta.
No SDA, chegou a 30% das vendas vindas de indicação. Com mídia cara, esse canal deixou de ser bônus e virou prioridade. O jeito de calibrar é simples: se trazer uma pessoa por tráfego custa entre R$ 200 e R$ 500, pagar esse valor em prêmio por indicação convertida é neutro no caixa — e ativa dezenas de divulgadores.
E o prêmio não é dinheiro. Dinheiro não move quem já fatura. Move o que a pessoa não compraria sozinha mas adora ganhar: um vinho bom, uma caneta, uma hora de consultoria, um jantar com os fundadores. Escada com degraus alcançáveis e um troféu lá no topo.

Escassez que funciona há 12+1 anos é escassez de verdade
Aqui eu sou chato, e é de propósito. Escassez inventada mata o evento seguinte. No próximo ano o público já manja, e aí nem a escassez real funciona mais.
- "Encerrado" não é "esgotado". Se pode reabrir, é encerrado. Esgotado é quando nunca mais volta.
- Nunca infle o número. Com 85% vendido eu falo "quase 90%". Nunca "mais de 90%".
- Urgência por tempo, não por vaga. "Encerra hoje às 21h59" é tangível. "Faltam 30 ingressos" não tem referência — é muito? é pouco? — e ainda anula o timer se você usar os dois juntos.
- Não publique porcentagem de lotação no começo. O cara vê 85% no primeiro dia e ainda vai ouvir um mês de campanha. A conta não fecha na cabeça dele e a confiança cai.
Tem um detalhe visual que vale ouro: quando um tier esgota, ele fica na página, em cinza, com o botão inativo. Nunca remova. Ele vira prova social permanente e empurra a venda do que sobrou.
Preço: o que eu nunca faço
Nunca anuncio o preço do próximo lote. Se o cliente sabe que vai subir R$ 100, ele faz a conta e paga pra ver. O desconhecido pesa mais que o número.
E nunca retroajo preço. Nem para o amigo, nem para o cliente grande, nem quando eu perco a venda. Por três motivos: é injusto com quem pagou certo; quem ganha exceção sai contando na roda dele e destrói a régua inteira; e quem toma o não respeita e compra rápido no lote seguinte.
Sobre subir: suba devagar. Eu já subi um ingresso VIP de R$ 1.000 para R$ 1.500 de uma vez e a venda travou na hora. E não tem como voltar atrás sem quebrar a regra de cima. Degrau grande demais é armadilha.
Como isso vira rotina de time
Nada disso funciona sem operação. O que eu mantenho em toda campanha:
- Reunião diária de 30 minutos. Evento não espera a semana que vem.
- Gestão à vista: painel com venda por canal, gasto de tráfego, custo por venda e placar de ingressos. Time vendo número subir é combustível.
- Papéis com nome. Quem gera o link, quem sobe na página, quem aprova horário. Ambiguidade gera incidente — eu já tive link errado fechando uma pré-venda 40 minutos antes da hora.
- Comercial enxuto que explode na virada. Dois ou três fixos, e no dia da virada todo mundo que sabe falar com gente entra. Já tive gente do suporte fazendo 13 vendas num fechamento.
E uma coisa que parece detalhe e não é: prova social é disciplina de print. Todo "fiquei de fora", "não consegui comprar", "vai reabrir?" é printado na hora e sobe para uma pasta compartilhada. Vira munição de story, de e-mail e de WhatsApp. Mostrar vale muito mais que falar.

O resumo, se você só puder guardar uma coisa
Ingresso se vende em movimento. Página parada não vende. Perfil parado não vende. Tráfego sem narrativa não vende.
A campanha é uma sequência de picos, e o seu trabalho é construir pressão entre um pico e outro para que o próximo seja maior. Quem trata evento como uma página no ar esperando comprador vai olhar o painel na quarta-feira, se assustar, cortar o budget — e nunca vai saber que estava a dois dias de vender quinze mil reais numa noite.
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